domingo, 3 de maio de 2026

Estratégias Bauman

Quando se é diferente, é preciso criar estratégias de sobrevivência, mecanismos para se tornar funcional em um ambiente naturalmente inóspito.

Quero ser sociável, quero estar no meio de gente, mas tenho certa dificuldade. Reconheço hoje que tenho duas estratégias para viabilizar isso. Não foram construções consciente, não foram coisas pensadas e organizadas metodicamente, mas é bem evidente que há um modus operandi padrão, que o tempo consolidou e aprimorou.

A primeira tática é a de servir. Há duas formas de estar no meio de muita gente: interagindo ou sendo útil. Eu busco a segunda. Sempre. É mais fácil convidar, organizar, servir, ajudar e conviver en passant, que dedicar foco a conversas que, na maioria das vezes, ou não me pertencem, ou fogem dos meus domínios / interesses.

A segunda abordagem é a de focar nas crianças. Os pequenos sempre estão mais abertos a aleatoriedades, sempre são mais acolhedores e, por mais que sejam inquisidores e curiosos, jamais são julgadores. São interações mais leves, mais alegres e que nunca falham no sucesso. É certeza de conseguir ficar à vontade e de aprender coisas novas.

Ambas as estratégias possuem um ponto negativo comum: não promovem aprofundamento. São convívios superficiais, sem densidade, com pouca possibilidade de continuação. Esse tipo de relação é mais fácil, mas não me agrada.

É a filosofia de Bauman, o polonês da modernidade líquida. Para ele, as relações contemporâneas são frágeis, efêmeras e superficiais. É triste, mas é real. E eu, em total consciência, me submeto a esse paradoxo: almejo relações que não são alcançadas pelas ações que promovo.

Preciso repensar? Sim! Mas não foi nesse feriado.