Quando fiz meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na graduação em filosofia, eu precisava ter um orientador para poder me matricular na disciplina. Nas voltas que o mundo dá, acabei fazendo uma escolha por comodidade: uma orientadora que não perturbasse. Não me importava o filósofo, não me importava a linha, não me importava o problema, eu só não queria encheção de saco. E assim foi.
Depois da matrícula encontrei minha orientadora apenas duas vezes antes da defesa. A primeira para discutir temas e possibilidades e a segunda para escutar feedback do trabalho pronto. Todos ficaram satisfeitos.
Ironia do destino é que gostei demais do trabalho: do autor, da questão, de como desenvolvi, tudo mesmo. E isso me inspirou a continuar a pesquisa na pós-graduação.
Quando submeti o projeto de doutorado a perspectiva, entretanto, era outra: queria um orientador que fosse me instigar, me exigir, me proporcionar aprofundamento e colaborar para um trabalho de excelência. Mas como desvincular daquela que acolheu e se gabou do resultado? Não teve jeito...
Bem, jeito até tem, mas implicaria em desgastes, decepções e, bem provavelmente, retaliações. Até foi aventada a possibilidade de uma coorientação; eu mesmo descartei pois seriam duas posições muito diversas e confrontantes. Final das contas, mantive a escolha lá de trás.
Como dizia Heráclito: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. A pessoa muda, o rio muda, tudo muda. Vivemos a impermanência. Diante disso, é natural que uma escolha que tenha feito sentido no passado, possa não fazer no presente. A questão é reconhecer e conseguir lidar com isso.
Isso não é sobre orientação.
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