sexta-feira, 19 de junho de 2026

Repensando

Mudei de ideia... Quando escrevi ontem, o sentimento era de frustração com o resultado do teste. Hoje, já sinto que essa conclusão pode sim colaborar com o tratamento e me proporcionar atitudes concretas. Na verdade, já estou vivenciando um impacto positivo: dormi mais em paz e acordei muito melhor hoje.

Ainda não consigo reconhecer essa superdotação. Porém, depois de tanta leitura na madrugada, é bem óbvio de entender o porquê do diagnóstico: eu correspondo a todas as características comuns. Todas!

Toda vida me senti diferentão, sentimento de não pertencimento a lugar algum, gosto pelo desafio, tédio com o ordinário, superfoco naquilo de interesse e tal... E sempre tive consciência disso. Quando bem-disposto e tranquilo, a critica não incomoda, não pesa. Mas qualquer fragilidade, qualquer julgamento implica em angústia, em autocobrança. Aí vem efeito borboleta: dúvida quanto aos valores, incerteza dos propósitos, questionamento da existência, revolta e por aí vai.

Talvez a sensação tranquilizante que bateu ontem tenha vindo exatamente pela possibilidade de o diagnóstico responder e justificar todo esse questionamento que surge na instabilidade. Agora posso simplesmente me abster das indagações por ter o entendimento de que não há nada errado, de que é apenas um desvio do padrão e que isso não é ruim. #descomplica

Ontem, o maior incômodo era a questão do emocional. Eu havia entendido, na fala da psicóloga, que o emocional era atrofiado, pouco desenvolvido. Provavelmente entendi errado. O comum é uma grande sensibilidade e, por conta de intensidade, dificuldade de lidar com. Aí sim faz sentido.

Não sou de manifestar sentimentos. Inclusive, minha forma de demonstrar não é convencional, o que muitas vezes é interpretado como frieza. Longe disso. Posso fugir do padrão e até mesmo ter dificuldade em expressar, mas sou muito emotivo, muito sensível.

O racional muitas vezes me fode. Eu vejo, interpreto, projeto, sinto... Não necessariamente precisa ser dito, não necessariamente precisa ter tido uma ação, não necessariamente precisa ter sido explícito, basta uma percepção. As entrelinhas dizem muito, o silêncio diz muito, linguagem corporal diz muito. Uma interpretação racional é capaz de gerar uma grande turbulência de emoções. E se não são compartilhadas, fazem grande estrago.

Ficou bem claro pra mim que preciso colocar mais para fora, preciso manifestar mais. Esse é o caminho para lidar com o sentimento, com a emoção. #paz

Ideias e convicções estão em processamento. Mas não há como negar que o sentimento hoje está muito mais otimista, interessado e disposto do que estava nas últimas semanas. Mais importante que isso, é o surgimento de uma esperança e de um otimismo que até vinham sendo manifestados por reconhecer as evoluções, mas não estavam verdadeiramente sendo sentidos.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Do teste neuropsicológico

Hoje tive a última sessão do teste neuropsicológico. A sensação é a de quem vinha acompanhando uma série intrigante, mas que teve um último episódio merda. Há sim uma frustração pelo desfecho, mas não se pode negar o contentamento anterior.

Quando o psiquiatra pediu, achei interessante. Eu nunca tinha ouvido falar, não sabia como funcionava e nem qual era o propósito. Pouca pesquisa já me deixou entusiasmado, afinal um diagnóstico permitiria o médico direcionar o tratamento e me possibilitaria uma tomada de consciência que levaria a atitudes.

Apesar de acreditar no propósito do teste, desde a primeira sessão comecei a questionar a metodologia. Logicamente, se a metodologia não é boa, não se pode confiar nos resultados. É o legítimo “fé cega e pé atrás”. Mesmo com essa desconfiança, que só aumentou ao longo das sessões, tive total comprometimento e entrega no processo.

O meu ceticismo é porque, na minha percepção, a maioria dos trabalhos conduzidos avaliam a capacidade intelectiva e cognitiva. Em outras palavras, o teste poderia falar de QI ou coisa parecida, mas não de saúde mental.

Pelo lado emocional, os protocolos aplicados consistiam basicamente em questionários de autoavaliação. Questionário de autoavaliação, para mim, é um erro duplo. Primeiro por entender que não dá para avaliar questões emocionais com notas de intensidade de correspondência. Segundo, porque acredito que, no geral, há falta de autoconhecimento e dificuldades de interpretação.

Se uma pergunta pode ter resposta diferente dependendo de época, de humor ou de qualquer outro fator, colocar um meio termo como resposta não é correto, não é mesmo? Se pra uma dada questão as opções de resposta são apenas negativas, o resultado fica viciado, certo? Ausência de tristeza não é o mesmo que felicidade... Enfim.

Mesmo com toda a minha descrença e com toda a acidez das críticas, o desenrolar desse teste foi prazeroso. Era uma terapia diária: um espaço em que eu me sentia confortável; um lugar de fala onde eu podia compartilhar sem medo de julgamento e com a certeza de uma indagação que me ajudaria nos entendimentos. Quanto aos protocolos aplicados, curti demais. Os que eram de lógica me desafiavam, me davam distração alegre. Os questionários me ajudaram a enxergar melhor muita coisa (inclusive a pensar que nem tenho depressão; mas é assuntou pra outra hora).

A sessão de hoje, como de costume, foi excelente. A decepção foi o fechamento, o spoiler do resultado. Laudo já tem mais de trinta páginas, mas ainda não está finalizado. A hipótese diagnóstica é de superdotação. Para né!

Até poderia cogitar algum nível de Transtorno do Espectro Autista ou algo do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas superdotação não só não faz sentido, como não me ajuda em nada. Ela explicou tecnicamente as paradas, mas não desceu não.

Reconheço que tenho uma certa facilidade intelectiva, mas nada fora de normal. Falar que é acima da média ok. Até porque a média é muito baixa. Mas enquadrar uma facilidade racional como uma condição neuropsicológica, é demais.

O incômodo do diagnóstico nem é pelo lado racional, mas pelo emocional. Seria meu emocional subdesenvolvido? Estaria o racional privando e limitando as emoções? O sofrimento é originado na desproporção de inteligências? Preciso refletir muito. E começo com desconfiança.

Outra coisa, como um superdotado cai em ciladas? Não faz sentido...