quinta-feira, 18 de junho de 2026

Do teste neuropsicológico

Hoje tive a última sessão do teste neuropsicológico. A sensação é a de quem vinha acompanhando uma série intrigante, mas que teve um último episódio merda. Há sim uma frustração pelo desfecho, mas não se pode negar o contentamento anterior.

Quando o psiquiatra pediu, achei interessante. Eu nunca tinha ouvido falar, não sabia como funcionava e nem qual era o propósito. Pouca pesquisa já me deixou entusiasmado, afinal um diagnóstico permitiria o médico direcionar o tratamento e me possibilitaria uma tomada de consciência que levaria a atitudes.

Apesar de acreditar no propósito do teste, desde a primeira sessão comecei a questionar a metodologia. Logicamente, se a metodologia não é boa, não se pode confiar nos resultados. É o legítimo “fé cega e pé atrás”. Mesmo com essa desconfiança, que só aumentou ao longo das sessões, tive total comprometimento e entrega no processo.

O meu ceticismo é porque, na minha percepção, a maioria dos trabalhos conduzidos avaliam a capacidade intelectiva e cognitiva. Em outras palavras, o teste poderia falar de QI ou coisa parecida, mas não de saúde mental.

Pelo lado emocional, os protocolos aplicados consistiam basicamente em questionários de autoavaliação. Questionário de autoavaliação, para mim, é um erro duplo. Primeiro por entender que não dá para avaliar questões emocionais com notas de intensidade de correspondência. Segundo, porque acredito que, no geral, há falta de autoconhecimento e dificuldades de interpretação.

Se uma pergunta pode ter resposta diferente dependendo de época, de humor ou de qualquer outro fator, colocar um meio termo como resposta não é correto, não é mesmo? Se pra uma dada questão as opções de resposta são apenas negativas, o resultado fica viciado, certo? Ausência de tristeza não é o mesmo que felicidade... Enfim.

Mesmo com toda a minha descrença e com toda a acidez das críticas, o desenrolar desse teste foi prazeroso. Era uma terapia diária: um espaço em que eu me sentia confortável; um lugar de fala onde eu podia compartilhar sem medo de julgamento e com a certeza de uma indagação que me ajudaria nos entendimentos. Quanto aos protocolos aplicados, curti demais. Os que eram de lógica me desafiavam, me davam distração alegre. Os questionários me ajudaram a enxergar melhor muita coisa (inclusive a pensar que nem tenho depressão; mas é assuntou pra outra hora).

A sessão de hoje, como de costume, foi excelente. A decepção foi o fechamento, o spoiler do resultado. Laudo já tem mais de trinta páginas, mas ainda não está finalizado. A hipótese diagnóstica é de superdotação. Para né!

Até poderia cogitar algum nível de Transtorno do Espectro Autista ou algo do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas superdotação não só não faz sentido, como não me ajuda em nada. Ela explicou tecnicamente as paradas, mas não desceu não.

Reconheço que tenho uma certa facilidade intelectiva, mas nada fora de normal. Falar que é acima da média ok. Até porque a média é muito baixa. Mas enquadrar uma facilidade racional como uma condição neuropsicológica, é demais.

O incômodo do diagnóstico nem é pelo lado racional, mas pelo emocional. Seria meu emocional subdesenvolvido? Estaria o racional privando e limitando as emoções? O sofrimento é originado na desproporção de inteligências? Preciso refletir muito. E começo com desconfiança.

Outra coisa, como um superdotado cai em ciladas? Não faz sentido...

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